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Histórico

Lançado em 1972 no Salão do Automóvel de Paris como modelo 1973, os W116 vieram para substituir a linha W108. Estes novos modelos trouxeram enormes avanços tecnológicos aos automóveis de 4 portas da categoria mais luxuosa da marca de Stuttgart. Os primeiros modelos vendidos foram o 280S, 280SE e 350SE (6cil.- 2.8L. e 8cil.- 3.5L respectiv.), seguidos pelo 450SE/SEL, 350SEL, 280SEL, 450SEL 6.9 (8Cil.-6.9L) e finalmente em 1978 os 300SD (Diesel) produzidos somente para o mercado americano, completando assim, a vasta gama dos modelos da série W116.

Esta foi a primeira série da Mercedes Benz a receber a denominaçào "S-Klass" (Classe S), termo hoje atribuído aos automóveis de maior luxo da Mercedes.
Em termos de design, os carros adotaram linhas em forma de cunha já incorporadas à série 107 (SL), e apresentavam items de segurança passiva e ativa até então inéditos em veículos de passeio.


Freios ABS por exemplo, foram oferecidos como opcional pela primeira vez, já em 1978 em todos os modelos da linha W116. O interior dos carros fazia uso extenso de materiais macios para evitar danos corporais aos passageiros em caso de acidente. O perfil lateral da carroceria possui calhas sobre o pilar A e C que em conjunto com a calha do teto, provocam um efeito aerodinâmico que durante chuva e neve mantém os vidros laterais e traseiro totalmente limpos com o veículo em movimento.

As famosas lanternas traseiras listradas, não acumulam sujeira mantendo assim, sua visibilidade mesmo nas piores condições.
W116 - 450 SEL 6.9

Em matéria de aperfeiçoamentos mecânicos, os W116 se posicionavam anos luz à frente das W108 e W109 além da grande maioria de outros automóveis de luxo da época. O sistema de suspensão dianteira adotado, era praticamente o mesmo utilizado no célebre C111 experimental. Esse sistema com pequenas modificações, utiliza uma geometria onde o eixo do pino mestre encontra o centro exato das rodas dianteiras, cuja característica chamada de "offset zero" proporciona tremenda estabilidade direcional, porém deixando a direção extremamente pesada. Neste caso, este tipo de problema nunca aconteceu com as W116, pois a direção hidráulica foi incorporada como equipamento standard em todos os modelos da série. O ângulo de caster a 10 graus positivos também contribui para o rodar extremamente estável e macio, sendo considerado revolucionário naquela época.

W116 - Suspensão Dianteira

Outra característica única era o da barra estabilizadora dianteira montada na parte superior da suspensão, parafusada à parede de fogo e funcionando também como link para posicionamento do pivô superior. A suspensão traseira era similar à das R/C 107 com sub-chassis independente montado à carroceria por calços de borracha, abandonando definitivamente o antigo, problemático e tradicional sistema Mercedes de eixo traseiro com barras transversais. A partir de 1977 todas as versões podiam ser equipadas com suspensão traseira auto-nivelante como opcional.

Um outro opcional já incorporado a partir de 1976 era o "tempomat" (em alemão), "cruise control" (em inglês) ou " Piloto Automático", comandado não eletronicamente como os atuais, mas sim, com um servo control a vácuo. O sistema é comandado por uma pequena alavanca localizada acima da seta. É interessante ressaltar que a posição da alavanca do tempomat se manteve até os dias de hoje em todas as versões equipadas com o opcional.
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Tempomat - "Cruise Control" - "Piloto Automático"

Inúmeros itens opcionais estavam disponíveis desde o lançamento da série W116 e o cliente podia configurar o carro exatamente de acordo a seu gosto e preferências pessoais. Acessórios como, Teto solar elétrico, vidros elétricos, travas das portas controladas a vácuo, couro nos bancos com descança braços dianteiro e traseiro e limpadores/lavadores de farol ( este último, foi muito utilizado na Europa para a remoção de neve acumulada nos faróis nos períodos de inverno ) podiam ser especificados independentes uns dos outros, criando assim versões bastante variadas desta série.

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W116 - 450 SEL
Teto Solar elétrico
Limpador e Lavador de Farol


Quanto a motorização, praticamente todos os motores eram projetos novos ou recém introduzidos em outros modelos. As 280S e 280SE faziam uso do M110 de seis cilindros em linha com 2.8 litros e duplo comando no cabeçote cross-flow sendo as "S" equipadas com um carburador Solex 4A1 quadrijet e as "SE" com injeção eletrônica Bosch D-Jet até novembro de 75 e K-Jetronic daí por diante. Dos modelos equipados com motores V8 para inicio do ano modelo 1973 somente o 350SE estava disponível na Europa e em outros países, exceto nos EUA onde as 450SE e 450SEL já eram comercializadas. Da mesma forma como ocorreu com as R/C 107, o motor 3.5 litros de 200hp teve sua potência seriamente comprometida, após a instalação de equipamentos anti-poluição exigidos pelas leis americanas de controle de emissão. Devido a esta queda de potência, o motor M117 de 4.5 litros foi adotado para o mercado americano desde o seu lançamento e em março de 1973 passou a fazer parte também para os modelos comercializados no resto do mundo. Cabe lembrar que as 450 em versão americana possuem uma potência de 180hp enquanto a versão européia tem 225hp. Junto com a mudança do sistema de injeção para K-Jet em novembro de 1975, os tuchos hidráulicos auto ajustáveis também passaram a ser incorporados aos motores V8 M116 (3.5L) e M117 (4.5L).

Tucho Hidráulico Auto Ajustável


De todas as versões da W116, a 450SEL 6.9 lançada em 1975 era sem dúvida um caso a parte, pois veio substituir a lendária 300SEL 6.3. Esta versão 6.9 fazia uso do mesmo motor M100 também utilizado na série W100 / Grand 600 Limousine ( nesta série o motor mantinha seus 6.3 litros, injeção mecânica e cárter tradicional ).........

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V8 - 6.9 L

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Mercedes Grand 600

........porém com cilindrada de 6.9 litros, injeção mecânica Bosch K-Jetronic, tuchos hidráulicos, cárter seco e uma potência de quase 300 Cavalos ou melhor, 286HP. Além do feroz motor, o veículo adotava também um sistema de suspensão similar ao patenteado pela Citroen francesa, utilizando esferas de nitrogênio em lugar de molas helicoidais, e colunas hidráulicas como amortecedores. Este sistema bastante complexo também é auto-nivelante e proporciona um rodar extremamente macio e ao mesmo tempo esportivo já que compensa automaticamente qualquer oscilação da carroceria. Pode também ser regulado em altura para utilização em pisos irregulares. A 6.9 foi o sedan mais veloz do mundo durante vários anos, atingindo velocidades de até 250km/h em perfeita serenidade e conforto.

450 SEL - 6.9 L a 250 Km/h


Outro modelo pouco conhecido no Brasil produzido exclusivamente para o mercado americano foi o 300SD Turbo-Diesel lançado em 1978 no auge da crise do petróleo quando automóveis movidos a Diesel se tornavam cada vez mais populares naquele país. A 300SD foi o primeiro automóvel de passeio no mundo com propulsor turbo-diesel. O motor OM617 era praticamente idêntico ao instalado no C111-III experimental que quebrou todos os recordes de velocidade no circuito de Nardo para veículos movidos a diesel com média de velocidade de 314km/h.

Protótipo C111_III e W116 300SD

Com cabeçote menos bravo mas bloco e parte inferior quase iguais, esse motor em sua versão de produção desenvolvia 120hp a 4000rpm porém possuía mais torque que o M110 carburado das 280S. Sua aceleração era quase a mesma ao da versão a gasolina mas com uma economia surpreendente para um veículo deste porte, ficando entre 9km/l na cidade 12km/l na estrada. Cabe lembrar que este automóvel pesava quase duas toneladas, e ainda equipado com transmissão automática de 4 velocidades, ar condicionado, vidros elétricos, etc... Sua aceleração de 0-100 Km/h é de aproximadamente 12 segundos e a velocidade máxima chega aos 185km/h.

Motores 6 cil. em linha e 8 cil. em "V"


As W116 eram disponíveis nos modelos 280S/SE/SEL com transmissão mecânica de 4 ou 5 velocidades ou automática da 4, sendo que as 300SD somente eram equipadas com cambio automático. Um detalhe interessante é que esta caixa de 4 marchas nas versões 280 é ajustada para arrancar em 2ª e não em 1ª marcha. Somente é possível o engate da 1ª marcha, se o acelerador for pisado até o fundo ou a alavanca de mudanças for deslocada para a posição L. Na 300SD o arranque é feito em 1ª marcha, mas quando o veículo está completamente parado o câmbio hidramático mantém a 2ª marcha engatada para evitar a tendência a rolagem excessiva devido ao alto torque do motor diesel em marcha lenta. As 350SE/SEL eram disponíveis com câmbio mecânico de 4 marchas ou automático de 3 marchas. Todas as 450 eram automáticas com cambio de 3 marchas incluindo a 6.9. Todas as versões automáticas das W116 podiam ser equipadas como opcional com câmbio na coluna de direção, sendo que poucos carros foram vendidos assim configurados.

Interior de uma 450SEL 6.9 - o tipo de madeira utilizado nas 6.9, era diferente das demais W116. O carro desta foto está equipado com o sistema de ar condicionado automático, opcional a partir de 1976 e uma adaptação de um sistema Chrysler utilizado nos modelos Imperial em 1972.

A série W116 foi considerado pela imprensa internacional especializada, como o melhor carro do mundo durante toda sua produção entre os anos de 1973 a 1980 e até hoje estes automóveis possuem características que escondem sua idade dada a sofisticação do projeto. São veículos extremamente confortáveis, espaçosos e incrivelmente duráveis. Em sua versão 6.9 a W116 possui um status quase inigualável mesmo quando comparado a veículos modernos, aliando estilo, conforto e desempenho que o colocam em lugar de destaque entre as várias lendas produzidas pela Mercedes-Benz.